Essa semana começou perigosa para o Luxemburgo. Um jogo classificatório pela Copa do Brasil e um clássico contra o Vasco pelo Campeonato Carioca. O primeiro era tido como um jogo fácil, por isso o risco de uma eliminação vexatória. O segundo também complicado, visto que já perdemos o jogo para o Botafogo. Imagina perder os dois jogos. Certamente a pressão para demissão do Luxa seria grande.
Por tudo isso dava para perceber um clima pesado no Ninho do Urubu.
Contra o Brasil de Pelotas o time não jogou bem. Ganhou de 2 a 0, mas o ritmo ficou sempre baixo e com poucas jogadas de criação. Alecgol produziu pouco. Pico e Pará até que tentaram, mas falta qualidade. Canteiros erra demais. É muito ruim para o Flamengo depender desses jogadores. Já Cirino poderia fazer alguma coisa diferente. Não fez. Mas deu passe para o gol do Eduardo.
O time só ficou um pouco mais divertido quando o Paulino entrou. Mais uma vez teve que sair do banco para resolver. Ele mostra que continua sendo o mesmo grande jogador da temporada passada. O único que foi bem.
Resultado, uma classificação burocrática. Será que o time estava se poupando para o clássico de domingo? Os jogadores levaram a partida como um treino de luxo? Acho que não. O fato é que o Flamengo só joga bem quando tem um grande adversário do outro lado. É um time que precisa ser atacado.
Isso é bom, visto que na sequência do ano teremos jogos decisivos do Carioca e o início do Brasileirão. Tenho fé no sucesso caso haja manutenção do Luxemburgo, contratação de três grandes craques e o crescimento do sócio-torcedor. Já imaginou o Flamengo chegar a 100 mil sócios?! O Palmeiras conseguiu.
Léo Moura renovou o contrato até o final do Campeonato Carioca. Sério?! Quem ficou satisfeito com isso?
É uma pena que o Flamengo não consiga aprender com os próprios erros. Lembra do Petkovic? O clube aposentou o sérvio à força. Minaram o craque até ele entender que era descartável. Inventaram um jogo de despedida contra o Corinthians no Engenhão. O que ele fez? Destruiu com a partida. Foi o melhor em campo e deixou claro que a aposentaria naquele momento era um erro. Depois dele nunca mais o time teve um camisa 10.
Três anos depois a história se repete. Coincidentemente com Luxemburgo no comando.
Léo Moura é o último dos ídolos, acostumado com título, tem mais de 500 jogos pelo clube, 10 anos de casa e muita lenha para queimar. Não existe camisa 2 do tamanho do Léo Moura.
Por que aposentá-lo? Ele não quer, a torcida não quer, a imprensa não quer. Talvez seja por que o Léo Moura não tem valor de mercado. Empresários gostam de troca troca para faturar. Será o elevado salário? Ele deve ganhar por uns dez Carlos Eduardo. Será pelas contusões? Mas para isso há contrato de produtividade.
Infelizmente a alternativa encontrada pela diretoria para descartá-lo sem aborrecer a torcida, foi estender o contrato até o fim do Carioca. Nada contra o estadual, mas não precisava ser assim. Léo Moura faz parte de uma linhagem do futebol brasileiro que está em extinção. É um craque à moda antiga, tem identificação com a torcida, joga com raça, técnica e sangue no olho. Léo Moura é o último dos moicanos!
Confiança se conquista. Eu vinha acompanhando o trabalho da diretoria Chapa Azul com desconfiança. Mas aos poucos fui sendo convencido. Em 2013 o Flamengo foi o clube que mais pagou impostos no Brasil. Eles conseguiram reduzir as dívidas, o número de processos judiciais, conseguiram o título de clube-cidadão e resgataram a confiança da imprensa e torcida. É fato.
Também é fato que ninguém é santo. Não confio 100% em ninguém.
Mas tem me chamado muita atenção a constância de propósitos da diretoria, em especial do presidente Eduardo Bandeira de Mello. Mesmo que 2015 seja ano eleitoral, ele mantém o discurso de austeridade. O presidente continua afirmando que o Flamengo tem que respeitar seus compromissos. Isso é muito bom. Conquistou meu respeito.
Recentemente, com a votação da lei de responsabilidade no esporte, ele defendeu punições a dirigentes ruins. Exigiu contrapartidas para renegociação de dívidas. O Flamengo está se sacrificando para pagar as débitos antigos, por que os outros clubes não?!
Tenho que ajudar esse cara. Pensei isso na hora. Não é justo que algumas pessoas estejam se esforçando tanto, enquanto outros milhões só observam à distância. Alguns ajudam indo ao estádio, outros comprando produtos oficiais ou assinando o pay-per-view. Mas o principal caminho é a conversão para sócio-torcedor.
Não adianta. O clube precisa da torcida! Tem que sair do sofá e entrar em campo!